quarta-feira, 25 de maio de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

viagem

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parei a pouco.
não sabia se para a direita ou para a esquerda continuaria a viagem.
não sei, ainda.
somente espero que haja ida.
e ainda assim, que haja volta.

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domingo, 15 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

suas mãos em todas as manhãs

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.das tuas mãos vertem mundos.
.das tuas mãos desenham traços.


.nas tuas mãos enxergam linhas.
.nas tuas mãos somam as minhas.


.suas mãos não são somente mãos.


.suas mãos são.
.suas mãos soam.


.suas mãos em todas as manhãs.


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terça-feira, 10 de maio de 2011

10 DE MAIO [ad infinitum]

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__ por quê?
__ porque não quero mais.
__ mas e ontem?
__ ontem?
__ e  agora?
__ agora o quê?
__ como assim, agora o quê?
__ e tudo o que planejamos, pensamos, conquistamos?
__ isso era ontem.
__ não te amo mais.
__ esqueci de gostar de você.
__ você esqueceu de gostar de si.
__ esquecemos de gostar de nós, nosso gosto azedou.
__ mas nem tudo é doce.
__ e nem tudo é azedo.
__ são só planos, pensamentos e conquistas vazias.
__ não dá mais.
__ mas por quê?
__ já fizeste esta pergunta.
__ sim, já disse - não quero mais, não queremos mais, sabes disso tão bem quanto eu, sabemos disso.
__ eu não sei disto, não compreendo o que está dizendo.
__ por quê insiste?
__ porque eu te amo.
__ não ama, ama uma conveniência, o que nos tornamos, um simulacro.
__ simulacro, não estou te reconhecendo, você nunca falou deste jeito.
__ justamente, é disso que estou falando agora.
__ não conversamos há muito tempo.
__ não me confunda, você faz isto muito bem, sabes usar as palavras e me confundes.
__ não quero te confundir, só não quero mais, não precisamos mais do outro; esvaziou.
__ eu me sinto plena.
__ eu sinto pena.
__ não seja sínico.
__ por favor, não quero ofensas, nem jogos de palavras, não quero, não queremos.
__ eu quero.
__ como assim?

__ por quê insiste?
__ pare com isso, não era este o conteúdo que iríamos conversar.
__ está vendo?
__ é tudo tão protocolar.
__ tão o quê?
__ esquece. deixa para lá.
__ estou indo embora, agora.
__ depois pego minhas coisas.
__ não.
__ por favor!
__ o quê?
__ isto está ficando muito complicado. olha eu gosto de você, mas eu não te amo mais.
__ mas não foi você mesmo quem disse que esta estória de amor não existe, que o que existe é o afeto, carinho, companheirismo, que o amor existe em um curto espaço de tempo, depois outras coisas tornam-se mais importantes.
__ sim, eu sei.
__ então?
__ então o quê?
__ eu te amo!
__ por quê?
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quarta-feira, 4 de maio de 2011

the last living rose

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o mapa está em cima da toalha da mesa.
é lá que acharemos a última rosa viva?
na toalha de rosas?
no mapa sob a mesa?




no tremor da última rosa viva?
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sábado, 23 de abril de 2011

23 DE ABRIL

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ela era devota de Ogum.
ele não.
estava acompanhando um amigo; entediado, inclusive, com aquilo que não compreendia e negava.
mas como o destino não anuncia sua presença, se esbarraram.
 e sorriram.
pediram desculpas; seguiram o cortejo.
no final, no dissipar de todos os devotos, se encontraram, novamente.
e, novamente, o sorriso.
estava calor - mesmo sendo outono.
um tanto cansados.
mas muito curiosos.
em poucos minutos estavam sentados, conversando e rindo.
ela perguntava mais que ele.
muitas perguntas.
poucas respostas.
tímido, olhava e continuava sorrindo.
e nisto, neste encontro, sua grande companhia, uma grande presença.
naquela tarde ele entendeu que era necessário acreditar.
Salve Jorge!

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terça-feira, 19 de abril de 2011

eu te amo

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eu te amo.
quero gritar isto o dia todo.
neste mês.
no ano inteiro.
quero enlouquecer gritando.
perturbar o silêncio.
os vizinhos.
quero que ouça.
escute.
e perceba.
quero gritar até perder a voz.
ficar mudo.
e, ainda, assim, mais uma vez.


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sábado, 16 de abril de 2011

breves anotações sobre eu mesmo

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quando era pequeno, comprei dois sonhos.
um para mim e outro para minha irmã.
naquela época, detestava minha irmã.
comprei o maior - que era quase o dobro do dela - para mim.
ao abrir o saquinho na sua frente, dentro do carro da minha mãe, com um sorriso de sarcasmo e prazer, percebemos.
ele, somente ele - meu sonho - estava sem recheio.

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bombons

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agora, aqui, chove.
escorre sob o vidro a chuva.
o céu é cinza.
e claro!
há nuvens.
sob a mesa, morangos.
bombons.

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

ínfimo


"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar."
Carlos Drummond de Andrade


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hoje necessito o silêncio.
não escrever.
bem ínfimo.
íntimo.
mínimo.
hoje eu não quero palavras.




o que cabe nas linhas acima?
na ausência completa?
exata?
perfeita?

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quinta-feira, 31 de março de 2011

cortejo

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nesta noite tua ausência.
e minha urgência se desfaz.
não há vento.
e em todas as frestas, silêncio.
escuridão.
nada se move.
nenhuma nuvem.
nem eu.
somente o grilo esfrega suas asas num cortejo.
ele canta.
e como
dói.

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segunda-feira, 21 de março de 2011

21 DE MARÇO

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naquela tarde, ele chorou.
e eu, também.
eu sei, porque estava com ele.
tudo era tão triste.
leu o que havia(m) escrito(s), assistiu aos vídeos, as fotos, todas as gavetas: as da casa, as do quarto, as do guarda-roupa e as suas próprias.
as sobras.
as paredes sem furos, sem livros, as pequenas sutilezas e as grandes, o peso daquilo tudo, o tempo daquelas coisas, a inércia, objetos, detalhes, bobagens, sorrisos.
as sombras.
os tons.

todos.
e eram tantos.
tão vivos, tão visíveis,

verossímeis e possíveis.
fechou os olhos e tudo era cor.
reviu tudo.

...

e chorou.
e chorei.

...

foi ele quem me pediu p/ escrever estas imagens.
foi ele quem primeiro chorou.
mas não consegui ver seus olhos cheios de lágrimas e os meus, não.
me disse que não saberia rever tudo aquilo, de novo; mesmo que com palavras.
não sabia.
e não diria não.
e não disse não.
e assim, revestiu meu pesar de um luto.
quase tudo.

um fim.
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