sábado, 23 de abril de 2011

23 DE ABRIL

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ela era devota de Ogum.
ele não.
estava acompanhando um amigo; entediado, inclusive, com aquilo que não compreendia e negava.
mas como o destino não anuncia sua presença, se esbarraram.
 e sorriram.
pediram desculpas; seguiram o cortejo.
no final, no dissipar de todos os devotos, se encontraram, novamente.
e, novamente, o sorriso.
estava calor - mesmo sendo outono.
um tanto cansados.
mas muito curiosos.
em poucos minutos estavam sentados, conversando e rindo.
ela perguntava mais que ele.
muitas perguntas.
poucas respostas.
tímido, olhava e continuava sorrindo.
e nisto, neste encontro, sua grande companhia, uma grande presença.
naquela tarde ele entendeu que era necessário acreditar.
Salve Jorge!

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terça-feira, 19 de abril de 2011

eu te amo

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eu te amo.
quero gritar isto o dia todo.
neste mês.
no ano inteiro.
quero enlouquecer gritando.
perturbar o silêncio.
os vizinhos.
quero que ouça.
escute.
e perceba.
quero gritar até perder a voz.
ficar mudo.
e, ainda, assim, mais uma vez.


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sábado, 16 de abril de 2011

breves anotações sobre eu mesmo

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quando era pequeno, comprei dois sonhos.
um para mim e outro para minha irmã.
naquela época, detestava minha irmã.
comprei o maior - que era quase o dobro do dela - para mim.
ao abrir o saquinho na sua frente, dentro do carro da minha mãe, com um sorriso de sarcasmo e prazer, percebemos.
ele, somente ele - meu sonho - estava sem recheio.

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bombons

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agora, aqui, chove.
escorre sob o vidro a chuva.
o céu é cinza.
e claro!
há nuvens.
sob a mesa, morangos.
bombons.

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

ínfimo


"O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar."
Carlos Drummond de Andrade


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hoje necessito o silêncio.
não escrever.
bem ínfimo.
íntimo.
mínimo.
hoje eu não quero palavras.




o que cabe nas linhas acima?
na ausência completa?
exata?
perfeita?

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quinta-feira, 31 de março de 2011

cortejo

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nesta noite tua ausência.
e minha urgência se desfaz.
não há vento.
e em todas as frestas, silêncio.
escuridão.
nada se move.
nenhuma nuvem.
nem eu.
somente o grilo esfrega suas asas num cortejo.
ele canta.
e como
dói.

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segunda-feira, 21 de março de 2011

21 DE MARÇO

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naquela tarde, ele chorou.
e eu, também.
eu sei, porque estava com ele.
tudo era tão triste.
leu o que havia(m) escrito(s), assistiu aos vídeos, as fotos, todas as gavetas: as da casa, as do quarto, as do guarda-roupa e as suas próprias.
as sobras.
as paredes sem furos, sem livros, as pequenas sutilezas e as grandes, o peso daquilo tudo, o tempo daquelas coisas, a inércia, objetos, detalhes, bobagens, sorrisos.
as sombras.
os tons.

todos.
e eram tantos.
tão vivos, tão visíveis,

verossímeis e possíveis.
fechou os olhos e tudo era cor.
reviu tudo.

...

e chorou.
e chorei.

...

foi ele quem me pediu p/ escrever estas imagens.
foi ele quem primeiro chorou.
mas não consegui ver seus olhos cheios de lágrimas e os meus, não.
me disse que não saberia rever tudo aquilo, de novo; mesmo que com palavras.
não sabia.
e não diria não.
e não disse não.
e assim, revestiu meu pesar de um luto.
quase tudo.

um fim.
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sábado, 19 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

quadrilha

à Julia Burger

e quando voltares, teremos a calma?
e depois da calma, teremos a cama?
e depois da cama, teremos o gozo?
e depois do gozo, teremos os sonhos?
e depois dos sonhos, teremos o riso?
e depois do riso, teremos os sonhos?
e depois dos sonhos, teremos o gozo?
e depois do gozo, teremos a cama?
e depois da cama, teremos a calma?

e depois?

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quarta-feira, 2 de março de 2011

02 DE MARÇO

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apaixonou-se.
e não foi fácil, pois havia terminado um quase casamento.
quase casamento?
não sabia muito bem o que era isso, mas era.
pouco antes de acontecer.
ela fugiu.
desapareceu.
mas o fato do agora é que ele estava apaixonado.
feliz.
esqueceu suas cicatrizes.
as das malas, as dos guarda-roupas.
e ela era linda e o fazia bem.
muito bem.
ela, também, terminara um relacionamento com outro.
grande amante, nem tão bom pai e esposo.
estava farta.
das promessas.
das esperas.
das.
e ele sorriu.
e ainda agora, o sorriso permanece.
os permeia!

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