quarta-feira, 17 de agosto de 2011

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

04 DE AGOSTO

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hoje me tornei um homem.
sim.
no meio da tarde.
estava frio.
e continua.
uma mulher parou ao meu lado.
__ você lembra que me ensinou a amarrar o sapato?
não entendi, já é noite e ainda não entendo direito.
__ sim. você me ensinou a amarrar o sapato.
__ por quê fui eu a ensinar amarrar os teus sapatos?
__ não sei. só sei que foi você!
__ e onde foi isso?
__ a lembrança de você me ensinando a amarrar o sapato se passa dentro de um teatro; bem na época do milagre dos olhos que mudaram de cor. (meus olhos mudaram de cor, mas na verdade, os queria roxos). eu tinha sete anos. acho que não sabia o que te dizer na época.
__
de que cor queria teus olhos?
encantado, respondi:
__ um de cada cor, enxergaria o mundo mais colorido.
ela sorriu.
__ eu te escolheria de olhos marrom terra e amarelo queimado.
__ ah, e outra coisa, apaixonar é fácil e desapaixonar?
não entendi, já é noite e ainda não entendo direito.
__ desapaixonar?
__ sim. você deve ser apaixonado como eu (nunca estou só, tenho medo do escuro e de mim). esse é o nosso dom e o castigo, também.
__ castigo?
__ sim. mas hoje quero somente o inevitável.
eu sorri.
__ então, você lembra que me ensinou a amarrar o sapato?
__ não.
__ sim. você me ensinou a amarrar o sapato. e depois aprendi a correr. e hoje, corro, corro, corro.
e ela insistiu.
__ que cor quer seus olhos, para que eu possa colher a cor?
__ colher a cor?
sorri, novamente.
__ estas que escolheu, quais eram mesmo?
__ marrom terra e amarelo queimado.
__ sim. marrom terra e amarelo queimado. aproveite e colha a roxa, também.
__ sim. poderíamos pintar nossos olhos!
e continuou.
__ por quê nunca conversamos antes? só me lembro do dia do sapato!
estupefato, respondi.
__ não sei.
e continuei.
e quando pintaremos nossos olhos?

ela fechou os olhos e respondeu.
__ em setembro.
e ainda de olhos fechados, sussurrou.
__ eu preciso ir. o tempo me chama.


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domingo, 31 de julho de 2011

31 DE JULHO

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raramente penso em ti.
 teu destino pouco me interessa.
mas de minha alma não se apagou o brevíssimo encontro que tivemos.
evito, de propósito, tua casinha vermelha, tua casinha vermelha junto ao rio lamacento.

Anna Akhmátova

chegou.
sorriu.

sentou.
fumou um cigarro.
e depois, outro.
não me disse uma palavra.
nada.
fitou meu olhar em um momento, sobre um comentário que fiz.
só isso.
depois de quatro cigarros, levantou, vestiu o casaco (estava frio), está frio!
e foi embora!


...


algumas coisas são inevitáveis.

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quarta-feira, 27 de julho de 2011

with the lights out it's less dangerous

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há um gato a espreita.
ele olha.
fixa o vôo do pássaro.
há morte por todos os lugares.
o labirinto de um é diferente do labirinto de outros.
quando as luzes estão apagadas é menos perigoso
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terça-feira, 26 de julho de 2011

26 DE JULHO

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pensei ir de trem; mas acho tão triste!
e avião?
receio de altura!
poderia ir de barco.
possível enjoar.
devo ir de carro.
e a distância?
moto, talvez.
não sei pilotar.

...

vou continuar aqui.
longe.
te esperando.
venha logo, pois há tantos meios.
venha logo!
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sábado, 23 de julho de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

21 de JULHO

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então era isso?
porém pensei o contrário.
acreditei nele, completamente.
e te sorria!
houveram erros.
e tantos.
mas era somente isso?
uma frieza, um riso discreto.
sua estupidez não te deixa ver.
minha estupidez não me deixa ver.
e agora o agora.
não saber sobre o falar.
e nem sequer dizer.
e sempre a mesma estória.
sempre os mesmos tons nos mesmos lugares.
nos mesmos discursos.
não menos.
assim não caímos em nossas contradições.
tuas.
minhas.
de todos em todos a toda hora.
então, era isso?
assim?

...

os mesmos?
não menos?
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

haikai

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dedicado a Matsuo Bashô



em minha janela
alguns pingos de chuva
contam segredos




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quinta-feira, 7 de julho de 2011

dôo

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te daria morangos!
e em seu colo o contraste!
tua pele, o vermelho!
te daria torradas!
te daria sorrisos!
no café!

de manhã!
te daria 
bom dia!
te daria o sempre!
o sim!
te daria você!
e a mim, te daria!
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quarta-feira, 6 de julho de 2011

06 de JULHO

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à Amedeo Modigliani


necessário tomar banho.
estar limpo.
belo!
escovar os dentes.
cortar as unhas.
pentear o cabelo.
limpar os ouvidos, sempre me pediram isto e quase nunca o fiz.
esquecimento ou falta de asseio?
não sei, não saberei.
ter um dia pleno.
cozinhar uma pasta, acompanhado de um bom vinho; shiraz, de preferência.
shiraz ou syrah?
agora não importa, a noite estarei morto.
não sei da grafia, sei o sabor e é bom.
no começo, acre; depois, todo doce.
qual pasta?
qual recheio?
essas coisas são importantes, principalmente pouco antes de ir.
aonde?
com quem?
não sei.
estou pleno, pronto.
anseio a ida.
o vinho.

e o recheio.
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sábado, 25 de junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

ROMANCE VII (micro.conto)

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so sad, so sad, so sad, so sad
so blue, so blue, so blue, so blue
very blue

VINCENT GALLO


naquela noite eu tive
algumas garrafas de vinho,
cocaína,
Vincent Gallo
e algumas tristezas!
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

romã

romã é uma fruta estranha e bela.
roma é uma cidade estranha e bela.
rima é uma palavra estranha e bela.
rumo é uma direção estranha e bela.
ramo é uma profissão estranha e bela.
remo é um esporte estranho e belo.

...

uma.
um.
um a um.
estranhos e belos.
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sábado, 4 de junho de 2011

não precisa morrer para ver deus

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o amor é importante. porra o amor é importante. porra o amor é importante. porra
o amor é importante. porra o amor é importante. porra o amor é importante. porra
o amor é importante. porra o amor é importante. porra o amor é importante. porra
o amor é importante. porra o amor é importante. porra o amor é importante. porra

o amor é importante. porra o amor é importante. porra o amor é importante. porra
o amor é importante. porra o amor é importante. porra o amor é importante. porra
o amor é importante. porra o amor é importante. porra o amor é importante. porra
o amor é importante. porra o amor é importante. porra o amor é importante. porra

mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor
mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor
mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor
mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor
mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor
mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor
mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor
mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor mais amor por favor
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sexta-feira, 3 de junho de 2011

03 DE JUNHO

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arrume a sua casa par receber o céu


não vi tuas tatuagens.
somente tuas sardas.
e tuas estórias.
vinte e sete, vinte e nove, trinta e duas.
quantas eram, mesmo?
tampouco teu seio de guerreira.
não me vestiu.
não pintou minha camiseta - aquela que pedi.
o desenho do cara com a cara grande.
longilíneo.
azul.
sentou, riu, olhou, riu, novamente e foi embora.
um sono, um resto de doce, estórias sem fim.
uma flor de vime.
vou, não vou, fico, saio, volto e não permaneço.
não vou, vou, saio, fico, não permaneço e volto.

...

no teu rosto teu sorriso.
no meu sorriso esta dúvida.
quantos éramos, mesmo?

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